terça-feira, 17 de outubro de 2017

Tratando da questão da gravidez precoce ou na adolescência


Autores: Naiana Dapieve Patias1; Ana Cristina Garcia Dias2
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Scielo
Medline

Como citar este Artigo

Descritores: Gravidez na adolescência, vulnerabilidade, psicologia.
Keywords: Teen pregnancy, vulnerability, psychology.
Resumo:
Objetivo: Nas últimas décadas tem se estudado a ocorrência da gestação na adolescência, sendo que um bom número de trabalhos busca compreender os fatores associados a sua ocorrência bem como suas consequências, em diferentes domínios do desenvolvimento. Fonte de dados: O presente trabalho apresenta uma breve revisão de literatura a respeito desses fatores que contribuem para que ocorra a gestação na adolescência. Síntese dos dados: Constata-se que múltiplos fatores encontram-se envolvidos na gênese da gestação na adolescência, no contexto socioeconômico e cultural, nas relações familiares, nas características dessa fase de desenvolvimento, sendo que todos esses fatores interagem contribuindo para ocorrência do fenômeno. Conclusão: Assim, considera-se necessário levar em conta esses múltiplos fatores (e a interação entre os mesmos) na elaboração e execução de programas de prevenção à gestação, uma vez que a gravidez nesse período de vida pode estar associada a problemas biológicos, psicológicos e sociais.

INTRODUÇÃO

Adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, que assume diferentes configurações psicossociais. Em termos cronológicos, segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência compreende a fase entre os 10 e os 19 anos1. Em termos psicológicos e fisiológicos, esse período do desenvolvimento é marcado por intensas modificações biológicas, psicológicas e sociais, que anunciam a passagem da infância para a vida adulta2. Embora não se resuma à questão biológica, a adolescência frequentemente está associada às transformações físicas decorrentes da puberdade, que transformam o corpo infantil em corpo adulto, capacitando-o à reprodução. Assim, as diferenças sexuais que antes não eram tão evidentes na infância, na puberdade tornam-se explícitas, ficando o exercício da sexualidade mais evidente.

Nesse contexto de transformações biológicas, psíquicas e sociais pode ocorrer a gestação na adolescência, já que os jovens, frequentemente, não são educados a cuidar do próprio corpo3. Benincasa et al.4 observam que há falta de oportunidade para os jovens refletirem sobre os riscos aos quais estão expostos diariamente. Isso os impede de reformular suas opiniões e repensar seus hábitos e possíveis soluções protetoras para tais riscos. Assim, os jovens tornam-se vulneráveis a experiências sexuais sem proteção, que podem lhes trazer consequências irreversíveis (por exemplo: gravidez, doenças sexualmente transmissíveis).

O presente trabalho pretende refletir sobre os diferentes fatores que contribuem para a ocorrência do fenômeno, através de uma breve revisão crítica da literatura, considerando quatro eixos norteadores: 1) a iniciação sexual precoce e o não uso de métodos contraceptivos; 2) representações de gênero e ambiguidade nos valores sociais; 3) fatores socioeconômicos e culturais; 4) o contexto familiar.

Partimos do pressuposto de que a gestação nesse período de vida é um fenômeno complexo, resultado de múltiplos fatores, sendo a ausência de informações sobre sexualidade e métodos contraceptivos apenas um dentre outros fatores que contribuem para a ocorrência do fenômeno3.


INICIAÇÃO SEXUAL PRECOCE E NÃO UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

A atividade sexual do jovem sem medidas contraceptivas adequadas pode resultar em gestação na adolescência. De fato, os comportamentos de risco associados ao exercício da sexualidade têm sido bastante investigados no contexto brasileiro2,5,6.

Ximenes Neto et al.2 destacam que a gestação encontra-se relacionada à idade de surgimento da menarca e da primeira relação sexual da adolescente, para eles: quanto mais cedo ocorre a menarca e o início da atividade sexual maiores são as chances de ocorrência da gravidez. Tanto no que se refere à menarca como à atividade sexual precoce observa-se que quando essas ocorrem em idades precoces, as meninas podem não se encontrar preparadas em termos psicológicos ou mesmo de informações para lidar com a própria sexualidade e com a necessidade de adotar comportamentos preventivos frente ao exercício da mesma. Santos e Carvalho6 apontam que, apesar da maior difusão de informações sobre métodos contraceptivos, cerca de 45 a 60% dos adolescentes brasileiros iniciam sua vida sexual sem a adoção de alguma forma de contracepção. Contudo, não é apenas a falta de informação que interfere na adoção de métodos contraceptivos.

Estudos indicam que os jovens não fazem uso da informação contraceptiva por apresentarem dúvidas quanto à validade das mesmas, por essas informações serem parciais ou ainda por estarem associadas a ideias equivocadas a respeito da sexualidade e contracepção7,8. O estudo realizado por Dias e Gomes8, por exemplo, aponta que a comunicação entre pais e filhos a respeito da sexualidade e contracepção é incompleta e parcial, sendo frequentemente comprometida pela falta de intimidade entre os envolvidos. Assim, os adolescentes podem buscar informações em outras fontes, que nem sempre se apresentam como adequadas ou eficientes no fornecimento dessas informações. Além disso, o receio do uso de certos métodos contraceptivos, o desconhecimento ou impossibilidade de compra dos contraceptivos, as chantagens do parceiro que percebem a relação sexual desprotegida como prova de amor contribuem para o não uso dos contraceptivos de forma adequada2,9.

Além disso, outro estudo mostrou que apesar das adolescentes possuírem um bom nível de conhecimento sobre métodos contraceptivos, 67,3% delas não utilizaram nenhum método na primeira relação sexual. As razões para a não utilização citadas foram: 32,4% não pensarem nisso na hora; 25,4% desejarem a gravidez; 12,7% não esperavam ter relação sexual naquele momento; 11,3% não conhecerem nenhum método contraceptivo; 8,5% os parceiros não queriam que elas usassem; 5,6% não se importavam em ficar grávidas e 5,6% achavam caro ou inconveniente usar alguma forma de método contraceptivo9.

Assim vemos que inúmeros fatores contribuem para a não utilização de contraceptivos. Além dos fatores já descritos, observamos que o amadurecimento orgânico do adolescente ocorre antes do amadurecimento emocional e cognitivo, podendo determinar a vivência da sexualidade de uma maneira imatura8,10.

Em termos afetivos, o surgimento da gravidez pode estar relacionado a dificuldades de assumir a própria autonomia emocional e de identidade, na qual, inconscientemente, por não conseguir separar-se psicologicamente da mãe, a adolescente tentaria manter-se em um estado simbiótico (com o bebê), transferindo esta dependência para o(a) filho(a)7 . Do ponto de vista cognitivo, os adolescentes apresentam dificuldades de prever as situações e relações causais possíveis entre as situações, sendo difícil para os mesmos pensarem nas consequências do ato sexual sem proteção. Além disso, o egocentrismo, característico do pensamento adolescente (comigo não vai acontecer, sou diferente dos outros), pode contribuir para ocorrência da gravidez3.

Até então vimos características mais relacionadas ao indivíduo que podem contribuir para ocorrência da gestação. A seguir veremos como fatores contextuais, sejam sociais ou familiares, contribuem para o surgimento da gravidez adolescente.


REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E AMBIGUIDADE NOS VALORES SOCIAIS

Considera-se, ainda, que há ambiguidade nos valores sociais referentes ao corpo, sexualidade e gênero que são transmitidos aos adolescentes e estão associados ao exercício da sexualidade sem a adoção de métodos contraceptivos. A partir da década de 60 o advento da pílula anticoncepcional proporcionou o surgimento de novos padrões de comportamentos sexuais, desvinculando o sexo da função reprodutiva necessariamente. No entanto, essa desvinculação ocorreu de tal forma que, hoje, parece ser complicado para os jovens associarem esses fenômenos11,12. Cabe lembrar ainda que essas transformações não necessariamente modificaram os papéis de gênero, da mesma maneira que influenciaram o comportamento dos indivíduos.

Um estudo realizado por Desser13, por exemplo, observa que o discurso social veiculado sobre a sexualidade voltado ao público feminino é contraditório. Ao mesmo tempo em que a "mulher moderna" deve possuir um controle de sua sexualidade, exercendo-a livremente, ela deve legitimá-la através de sua "inocência". Nesse sentido, o ato sexual está vinculado à ideia de descontrole emocional, provocado por uma "grande paixão", não sendo jamais planejado ("inocência" torna-se inerente ao ato). Essa produção de "inocência" na jovem sexualmente ativa substitui o valor que a virgindade antes possuía na regulação da sexualidade feminina, assumindo um papel fundamental na construção da identidade feminina. Para Desser13 (p. 140), "o não sancionamento do exercício da sexualidade e utilização da virgindade como método contraceptivo são os principais fatores associados ao não uso ou uso ineficaz de contracepção, seja a adolescente ainda virgem, seja depois de iniciada sua atividade sexual" (p. 140).

Essa ambiguidade de valores ainda é vivida, sendo descrita em alguns estudos5,11. Observa-se que ainda é predominante a representação que o homem é ativo e deve exercer sua sexualidade de maneira livre, levando em conta apenas a obtenção da satisfação das necessidades corporais e busca de prazer. No entanto, as meninas que adotam os mesmos comportamentos ou valores que eles são consideradas promíscuas e "mal vistas". Assim, é reprovada a curiosidade e as iniciativas femininas frente à sexualidade, assim como a prática de relações sexuais fora do casamento pelas meninas. Essas concepções afetam diretamente a utilização de métodos contraceptivos, uma vez que utilizar os mesmos significa a antecipação do exercício da atividade sexual, fato que não permitiria a associação ao descontrole emocional fruto da paixão e, consequente, legitimação através da "inocência". Assim, em alguns segmentos, podemos encontrar a ideia de que usar métodos contraceptivos pode ser sinônimo de promiscuidade.

De fato, Heilborn et al.11 consideram que é utilizada uma lógica assimétrica, na qual o gênero masculino é dominante, sendo essa lógica desigual um importante fator de risco que predispõe a gestação na adolescência. Essa lógica dificulta a negociação do uso de contraceptivos e práticas preventivas entre os parceiros, quando os mesmos vão exercer sua sexualidade.


FATORES SOCIOECONÔMICOS E CULTURAIS

O contexto econômico, histórico, político e cultural é importante de ser analisado na situação de gestação adolescente, pois essa pode ser vista como um problema de saúde pública ou não, dependendo desses fatores3. De fato, alguns estudos2,7,11,12,14,15 mostram que a gravidez nesse período ocorre predominantemente em um contexto no qual os jovens possuem menores oportunidades de vida, tanto em termos educacionais como profissionais. A gestação e a maternidade, nesse contexto, podem fazer parte de um "projeto de vida", que possibilita à adolescente a inserção no mundo adulto, de maneira valorizada, através do papel de mãe11.

Dadoorian7 considera que, nas camadas populares, o papel e status feminino estão associados à maternidade; assim, é possível que as jovens sejam estimuladas, mesmo inconscientemente, a engravidar, para encontrar reconhecimento. Além disso, a gestação e a consequente maternidade, ao constituírem um novo núcleo familiar, podem representar a autonomia econômica e emocional em relação às figuras paternas.

É possível que nos estratos populares o desejo de ter um filho apareça mais cedo, uma vez que a maternidade funciona como uma estratégia de aliança, na qual uma rede de arranjos domésticos e de consanguinidade é revisada e fortalecida. A criança, nesse contexto, produz sentido para a vida, sendo, muitas vezes, desejada e considerada um objetivo a ser alcançado e não um problema a ser tratado12,15.

Rangel e Queiroz16, por sua vez, ao compararem jovens de dois estratos socioeconômicos diferenciados, mostraram que para as jovens de camadas populares a gravidez representa o destino natural do feminino e a forma única de realização pessoal. O mesmo não acontece com as jovens dos estratos médios, para as quais a gravidez é representada como algo que destruiria os planos futuros de continuação dos estudos e uma inserção profissional qualificada no mercado de trabalho.


O CONTEXTO FAMILIAR

Além dos valores presentes no contexto social próximo, os fatores e valores familiares são fundamentais tanto para compreender como os mesmos podem influenciar para a ocorrência da gestação adolescente quanto para entender como a mesma será vivenciada e representada pela jovem. Por exemplo, Caputa e Bordin17 observam que a baixa escolaridade paterna e o uso frequente de drogas ilícitas por um familiar residente no domicílio podem ser fatores de risco importantes para ocorrência da gestação. Esses fatores geram estresse e dificultam as relações familiares, tornando a comunicação mais difícil entre os membros do grupo.

Além disso, outros autores7,12,14,15,18, por sua vez, demonstram que práticas educativas parentais abusivas, bem como a presença de uma configuração familiar monoparental, podem fazer com que a jovem se torne mais vulnerável à ocorrência da gestação precoce. Nesse contexto, a menina pode se sentir menos apoiada e pode perceber na gestação uma forma de receber afeto e compreensão. Brandão e Heilborn19 observam que a gravidez ainda pode representar tanto uma atitude de rebeldia contra a família como a busca de libertação de um ambiente familiar hostil.

Outro fator familiar que contribui para a ocorrência da gestação é a repetição da história reprodutiva da família. Estudo de Persona, Shimo e Tarallo20 demonstra que meninas grávidas possuem pais que, em sua maioria, passaram por essa experiência durante a adolescência. Além disso, a presença de outros membros da família (tias, irmãs, primas) que estão passando pela experiência de gravidez adolescente está mais associada à ocorrência do fenômeno, no caso de certas meninas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir de uma breve revisão de literatura não sistemática acerca dos fatores que tornam as jovens mais vulneráveis à gestação na adolescência, compreendeu-se que esta é multideterminada e não deve ser considerada a partir de um único fator. Falar de gestação na adolescência é falar de um fenômeno complexo e multifatorial. Nesse sentido, é importante ressaltar a importância de se conhecer os diferentes fatores e a interação entre os mesmos que possibilitam a ocorrência de gestação na adolescência para a elaboração e desenvolvimento de programas de prevenção, promoção e atendimento a essa população. Assim, é fundamental que os profissionais de saúde possam ampliar seus olhares, percebendo os diferentes significados envolvidos nesse fenômeno. Considera-se que a gestação deve ser, de fato, uma opção, mas isso só será possível se as jovens dos diferentes estratos sociais tiverem oportunidades similares de escolarização, profissionalização e inserção social.

ONU: mulheres pobres precisam ter controle sobre natalidade

17 out 2017 

Fracassar em dar às mulheres mais pobres o controle sobre seus corpos pode ampliar a desigualdade em países em desenvolvimento e prejudicar o progresso rumo a metas globais que visam a erradicar a pobreza até 2030, disse o Fundo de População das Nações Unidas (FPNU) nesta terça-feira.
Refugiada curda segura criança em campo de refugiados na cidade de Suruç, na Turquia
Refugiada curda segura criança em campo de refugiados na cidade de Suruç, na Turquia
Foto: Reuters
Incontáveis mulheres e meninas do mundo todo não têm o direito de opinar em decisões sobre sexo e natalidade e têm dificuldade de acesso a serviços de saúde, como planejamento familiar, correndo o risco de gestações indesejadas e abortos, informou um relatório do FPNU.
O acesso ao controle de natalidade permite que as mulheres adiem e criem intervalos entre os nascimentos, reduzindo a mortalidade de mães e filhos, fortalece economias liberando as mulheres para o trabalho e induz famílias menores nas quais os pais conseguem dedicar mais tempo à saúde e à educação dos filhos.
Mesmo assim, muitas das mulheres mais pobres do mundo --especialmente as mais jovens, menos educadas e moradoras de áreas rurais-- não usufruem destas oportunidades porque tais serviços são escassos, muito caros ou desdenhados por suas famílias e comunidades, dizem especialistas.
Isso pode agravar a diferença de gêneros, reforçar a desigualdade entre os mais pobres e os mais ricos e em última instância enfraquecer as economias, alertou o FPNU em seu relatório anual "Estado da População Mundial".
Negar às mulheres o acesso a serviços de saúde reprodutiva também pode minar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), um plano global para acabar com a pobreza e a desigualdade até 2030, segundo o levantamento.
"Hoje a desigualdade não diz respeito só a ter ou não ter... diz respeito cada vez mais a poder e não poder", disse a diretora-executiva do FPNU, Natalia Kanem, em um comunicado.
"As mulheres pobres que carecem dos meios para tomar suas próprias decisões sobre o tamanho da família ou que estão com a saúde ruim por causa de cuidados de saúde reprodutiva inadequados dominam as fileiras do 'não poder'", afirmou ela antes do lançamento do relatório em Londres.
Ao menos 214 milhões de mulheres de países em desenvolvimento não conseguem ter acesso a contraceptivos, o que resulta em 89 milhões de gestações indesejadas e 48 milhões de abortos por ano, segundo o FPNU.
Mas um número crescente de países vêm prometendo elevar seus gastos com serviços de saúde reprodutiva, parte da iniciativa Planejamento Familiar 2020, que almeja oferecer acesso a métodos de controle de natalidade a 120 milhões de mulheres a mais em todo o planeta.

Origem de ondas gravitacionais é observada pela primeira vez

Especialistas comprovaram a existência de kilonova, fusão de duas estrelas de nêutrons. Acontecimento inaugura "nova era" de observação e pode aproximar cientistas da origem do universo.
Gráfico simula ondas gravitacionais geradas por estrelas binárias de nêutrons Gráfico simula ondas gravitacionais geradas por estrelas binárias de nêutrons
Uma equipe internacional de astrônomos anunciou nesta segunda-feira (16/10) que conseguiu observar, pela primeira vez, a origem de ondas gravitacionais, inaugurando o que os especialistas chamaram de "o início de uma nova era" na observação do universo.
No último dia 17 de agosto, os cientistas testemunharam simultaneamente a luz e as ondas gravitacionais produzidas pela fusão de duas estrelas de nêutrons a 130 milhões de anos-luz da Terra, podendo observar as consequências do fenômeno em vários telescópios.
Leia mais:
 Nobel de Física vai para estudo de ondas gravitacionais
O que são ondas gravitacionais e por que elas são importantes?
As observações sugerem que os sinais captados pelos cientistas são resultado de uma fusão chamada de kilonova, cuja existência se postulava há 30 anos, mas que nunca tinha sido provada. Esta é a primeira observação confirmada do fenômeno.
Observação revolucionária
"É realmente emocionante viver um acontecimento assim, que muda a nossa compreensão de como funciona o universo", disse France Córdova, diretora da Fundação Nacional de Ciências (NSF) dos Estados Unidos.
Durante cerca de dois minutos, os detectores dos observatórios Ligo (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory), nos Estados Unidos, e Virgo, na Itália, registraram pequenas ondas – como se fosse uma oscilação – no espaço-tempo, uma nova dimensão que resulta da fusão entre espaço e tempo, segundo a Teoria Geral da Relatividade do físico alemão Albert Einstein.
Quase ao mesmo tempo, se produziu uma explosão de raios gama, detectada por um satélite da Nasa, que enviou um alerta para a Terra. Os astrônomos da equipe internacional do Ligo e do Virgo calcularam rapidamente o local de origem das ondas gravitacionais, encontrando um novo ponto claro na galáxia NGC4993.
Após as primeiras análises, os especialistas chegaram rapidamente à conclusão de que se tratava de uma kilonova.
"Versão light" do buraco negro
As estrelas de nêutrons podem ser comparadas a uma versão "light" dos chamados buracos negros, que surgem após o colapso de estrelas maciças, definiu reportagem do jornal alemão Süddeutsche Zeitung. As estrelas de nêutrons são sobras de estrelas menores. Quando acaba o combustível dessas estrelas, elas se desmantelam, causando uma pressão inimaginável que derrete prótons e elétrons. Acontece uma violenta explosão. O que sobra é um objeto extremamente comprimido, composto quase que exclusivamente de nêutrons.
A detecção de ondas gravitacionais já havia sido observada – o prêmio Nobel de Física deste ano foi concedido aos americanos Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne pela comprovação da existência de ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há mais de cem anos. Porém, nas quatro ocasiões em que se detectaram essas oscilações que distorcem o espaço-tempo e se propagam com a velocidade da luz, a causa havia sido a fusão de buracos negros.
As ondas gravitacionais são resultado de leves perturbações do espaço-tempo sob efeito do deslocamento de um objeto maciço. Frequentemente, essas oscilações são ilustradas com a imagem de rugas que se propagam na superfície de uma lagoa depois que se joga uma pedra dentro dela. Quanto mais longe se está do local onde a pedra mergulhou, menor é a onda.
"Novos óculos"
Com os detectores Ligo e Virgo, os astrônomos agora possuem novos instrumentos para observar fenômenos violentos – como a fusão de dois buracos negros ou de duas estrelas de nêutrons – no universo e que até hoje não podiam ser observados. "É como ter novos óculos, novos olhos", afirmou o físico Thibault Damour, do Instituto de Altos Estudos Científicos (IHES), próximo a Paris.
"Elas [as ondas gravitacionais] são produzidas permanentemente. Estamos imersos num fluxo de ondas gravitacionais, mesmo se não nos damos conta", explica Benoît Mours, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França.
Essa nova astronomia também pode ser definida como "uma janela para o passado", segundo considera Jon Butterworth, professor de física da UCL (University College London). "Isso não nos permitirá voltar até o Big Bang, mas poderá nos aproximar muito" da origem do universo, disse o cientista.
RK/efe/dpa/afp/ots

domingo, 15 de outubro de 2017

COMPOSIÇÃO 29

AS CIRCUNSTÂNCIAS COSTUMAM VARIAR


O sol se punha humildemente
Hora de jantar
E depois comer um manjar
Lenta e tranquilamente


Hora de pensar nela
Uma olhada na janela
E ela nunca vinha
Mais uma olhada rapidinha
E nada dela
Paciência e sem xurumela


Viu? Lá vem ela
Perguntei-lhe sobre seu dia
Mas ela não respondia
Permanecia quieta
Fiquei alerta

Mas era preocupação à toa
Pensei: apenas TPM ou estressada?
Talvez amanhã ela já esteja boa, pois

Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)

Novamente o sol se punha
Corri para a janela a esperá-la
Como um raio ela chegava irradiante
Beijou-me ardentemente
E pôs-me a abraçá-la
Como eu supunha ela se recompunha


Às vezes preocupações por nada
Às vezes o diabo ganha de lavada
Ás vezes o diabo está em nossa cabeça
Não há quem mereça, pois






Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Nada melhor do que um dia após o outro
Pois nem todo dia é torto
Então, por que ficar afoito
Melhor perder tempo com o coito

Hoje levo a via numa boa
Do passado ingênuo ela destoa
Não pensar no pior
É bem melhor, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Tudo é passageiro
Nada é eterno
Sem inferno
E formigueiro


Deus é sábio
Fez o ciclo
Com isso me reciclo
E recarrego meu lábio, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar,
Variar, é, variar
(Refrão)


O sol se punha humildemente
Hora de jantar
E depois comer um manjar
Lenta e tranquilamente


Hora de pensar nela
Uma olhada na janela
E ela nunca vinha
Mais uma olhada rapidinha
E nada dela
Paciência e sem xurumela


Viu? Lá vem ela
Perguntei-lhe sobre seu dia
Mas ela não respondia
Permanecia quieta
Fiquei alerta

Mas era preocupação à toa
Pensei: apenas TPM ou estressada?
Talvez amanhã ela já esteja boa, pois

Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)

Novamente o sol se punha
Corri para a janela a esperá-la
Como um raio ela chegava irradiante
Beijou-me ardentemente
E pôs-me a abraçá-la
Como eu supunha ela se recompunha


Às vezes preocupações por nada
Às vezes o diabo ganha de lavada
Ás vezes o diabo está em nossa cabeça
Não há quem mereça, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Nada melhor do que um dia após o outro
Pois nem todo dia é torto
Então, por que ficar afoito
Melhor perder tempo com o coito

Hoje levo a via numa boa
Do passado ingênuo ela destoa
Não pensar no pior
É bem melhor, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar
Variar, é, variar
(Refrão)


Tudo é passageiro
Nada é eterno
Sem inferno
E formigueiro


Deus é sábio
Fez o ciclo
Com isso me reciclo
E recarrego meu lábio, pois


Cada dia é diferente
De descontente a contente
Com isso devemos nos acostumar
As circunstâncias costumam variar
Costumam variar,
Variar, é, variar
(Refrão)

Va, va, va, va, va, variar
Va, va, va, va, va, variar…
(Refrão final)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O bom modelo português de descriminalização do uso das drogas

O momento em que o diretor-geral do SICAD, João Goulão (à esquerda) cumprimentou o Papa Francisco, em novembro quando participou num seminário da Academia Pontifícia das Ciências, tendo apresentado o modelo português de descriminalização das drogas
Descriminalização do consumo e os resultados obtidos são objeto de estudo por muitos países que enviam delegações a Portugal
O modelo português de descriminalização do consumo de drogas e apoio e tratamento aos consumidores atrai cada vez mais as atenções mundiais. Do realizador norte-americano Michael Moore ao Vaticano, aos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ao Reino Unido ou ao jornal The New York Times, a legislação portuguesa aprovada em 2000, e em vigor desde 2001, tem merecido muita atenção ao ponto de os responsáveis nacionais que mais de perto lidam com o tema serem convidados para participar em inúmeros seminários onde explicam como Portugal lida com o assunto. Além disso, o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) recebe frequentemente delegações de países e instituições que querem ver como o país lida com a questão.
João Goulão, diretor-geral do SICAD, confirma as visitas e tem como prova "uma galeria de fotos com personalidades notáveis no meu gabinete. Uma é com o Papa Francisco". Imagem obtida em novembro de 2016 quando participou num seminário organizado pela Academia Pontifícia das Ciências -também com o envolvimento da rainha Sílvia, da Suécia -, onde diversos especialistas mundiais falaram sobre as várias questões relacionadas com a droga. Este encontro, em que a legislação e os resultados obtidos por Portugal foram apresentados, teve lugar nos dias 23 e 24 daquele mês e, no final, ficou feito um retrato global sobre os problemas relacionados com a droga a nível mundial.
Foi também divulgado um documento com 13 recomendações. Por exemplo, sobre a necessidade de se conseguir maior apoio para os três tratados das Nações Unidas que permitem o uso de droga com fins medicinais e instituem normas muito restritas para evitar a venda e o consumo sem ser para fins terapêuticos; um outro ponto alerta para a urgência de se combater o tráfico; o documento refere também que os países devem elaborar uma estratégia para coordenar os sistemas penais e de saúde. Os participantes defendem que tem de se fazer prevenção nos jovens (até aos 21 anos) para evitar que consumam produtos estupefacientes.
O exemplo português
O sucesso do modelo nacional que já tem 16 anos - a legislação que descriminaliza o consumo entrou em vigor em 2001 - é assente em resultados comprovados. "Temos uma das mais baixas taxas do mundo de óbitos por overdose", sublinha João Goulão. Em Portugal são seis mortes por milhão de habitantes, nas idades dos 15 aos 64 anos, enquanto nos Estados Unidos são 312, na Suécia 100, na Noruega 76 e em Espanha 15, por exemplo, como sublinhou o jornal norte-americano The New York Times num artigo intitulado "How to Win a War on Drugs" (em português, "Como ganhar a guerra às drogas"), publicado no dia 22 de setembro, que compara o falhanço da política norte-americana (64 mil cidadãos morreram de overdose nos Estados Unidos no ano passado) com o sucesso do modelo português. O jornalista Nicholas Kristof entrevistou o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, o "arquiteto" (como lhe chamou) desta política, João Goulão, mas igualmente toxicodependentes e técnicos.
A razão para tanto interesse é que a opção portuguesa é única no mundo: adotou uma abordagem de saúde pública, deixando de penalizar os consumidores para os encaminhar para uma consulta na comissão de dissuasão, um organismo que só existe em Portugal. "O modelo mais próximo do nosso é o da República Checa. Os checos descriminalizaram o consumo mas não criaram as comissões de dissuasão. E estas são importantes porque visam encaminhar as pessoas para as respostas adequadas ao seu grau de consumo de drogas", explicou ao DN o diretor do SICAD. João Goulão tem recebido dezenas de delegações internacionais no seu gabinete, como um autêntico "embaixador" desta política portuguesa.
Em novembro do ano passado, o diretor do SICAD foi a Vancouver (Canadá), para um congresso sobre políticas de combate às dependências e recebeu, em Lisboa, o diretor de um programa de pesquisa sobre hepatite nos Estados Unidos, responsável pelo programa de controlo desta doença.
Mais recentemente, na última semana de setembro, não teve mãos a medir: "Recebi uma comissão parlamentar constituída por senadores e deputados australianos, um deputado escocês, um vereador do município brasileiro de São Paulo e uma delegação técnica do estado de Santa Catarina, no Brasil." Antes, esteve em Viena de Áustria a participar numa reunião das Nações Unidas em que fez uma intervenção sobre o modelo português. "Tem sido uma atividade louca de partilha da experiência e dos bons resultados que temos obtido. Hoje em dia uma das atividades que consomem mais do meu tempo é receber as delegações de todos os cantos do mundo", conta. Após a publicação de um primeiro relatório sobre os resultados da política portuguesa, assinado pelo jurista norte-americano Glenn Greenwald em 2009, começaram a chegar as delegações estrangeiras, na média de "uma ou duas por semana". Até hoje.
A visita das ministras do Canadá
A 27 de julho vieram a Lisboa as ministras da Justiça e da Saúde do Canadá, Jody Wilson-Raybould (que é também procuradora-geral do país) e Ginette Taylor, respetivamente, para conhecer a abordagem portuguesa em matéria de opioides e dar a conhecer a reforma em curso relativa à legalização e regulação da canábis no Canadá, bem como a reforma do sistema de justiça penal canadiano. Foram recebidas pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, que as levou a visitar uma ala livre de drogas no Estabelecimento Prisional de Lisboa mas também estiveram com o diretor do SICAD.
"Acharam o programa português muito bom, porque evitava o flagelo e a perseguição de consumidores nas ruas da cidade. Viram demonstrado que a abordagem curativa é mais eficaz, não a repressiva. Também lhes foi explicado como o Laboratório de Polícia Científica da Judiciária procura atualizar-se à medida que vão aparecendo novas drogas, como as sintéticas, e manter a par a legislação e a informação junto das polícias", explicou fonte do Ministério da Justiça ao DN.
João Goulão também recebeu as ministras canadianas: "No Canadá há um compromisso eleitoral do primeiro-ministro em legalizar o uso da canábis para fins recreativos. O grande interesse no modelo português tem que ver com o enorme problema que estão a atravessar: as mortes por overdose de opiáceos sintéticos, o cetanil está a matar quatro pessoas por dia em Vancouver. Por isso também fui lá falar da nossa experiência."

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Algumas mudanças nas 8 composições iniciais minhas

Eu fiz uns aprimoramentos nas composições de 2016 que aparecem no mês de agosto daquele ano.
Espero que gostem, pois são minhas primeiras composições e eu me apresentava como um aprendiz. Hoje, já desenvolvi bem mais minha técnica de compor. Um abraço a todos!

COMPOSIÇÃO 28

O IDEAL


É que religiões falsas percam seguidores
É regime político sem ditadores
É sexualidade livre e responsável
É mulher linda e adorável


É parceiro romântico
É cruzeiro no Atlântico
É beijo na boca
É comer queijo numa cidade barroca


(É beijo na boca)
(É comer queijo numa cidade barroca)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


É ter justiça implacável e rápida
É namorar uma mestiça intrépida
É encontrar a cara-metade
É amar de verdade


É expor os sentimentos
É compor incrementos
É encontrar o ponto de equilíbrio
É deixar de ser um ébrio

(É expor os sentimentos)
(É compor incrementos)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É se divertir a valer
É curtir ler
É curtir teatro
É cair de quatro

É exalar felicidade
É falar com idoneidade
É viver o presente
É desenvolver contente

(É viver o presente)
(É desenvolver contente)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É preservar e também inovar
É reservar e também gastar
É manter o astral
É esconder o final

É voltar a ser criança
É não se descuidar da balança
É pôr o corpo em movimento
É dispor de anticorpo no tratamento

(É manter o astral)
(É esconder o final)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É não pecar comendo a maçã
É pensar no amanhã
É se aliviar no divã
É se alongar com uma falastrã

É dar o respeito para ser respeitado
É evitar o trejeito para não ser imitado
É demonstrar simpatia
É se esbaldar na alegoria

(É demonstrar simpatia)
(É se esbaldar na alegoria)


É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É que religiões falsas percam seguidores
É regime político sem ditadores
É sexualidade livre e responsável
É mulher linda e adorável


É parceiro romântico
É cruzeiro no Atlântico
É beijo na boca
É comer queijo numa cidade barroca


(É beijo na boca)
(É comer queijo numa cidade barroca)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


É ter justiça implacável e rápida
É namorar uma mestiça intrépida
É encontrar a cara-metade
É amar de verdade


É expor os sentimentos
É compor incrementos
É encontrar o ponto de equilíbrio
É deixar de ser um ébrio

(É expor os sentimentos)
(É compor incrementos)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)


É se divertir a valer
É curtir ler
É curtir teatro
É cair de quatro

É exalar felicidade
É falar com idoneidade
É viver o presente
É desenvolver contente

(É viver o presente)
(É desenvolver contente)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É preservar e também inovar
É reservar e também gastar
É manter o astral
É esconder o final

É voltar a ser criança
É não se descuidar da balança
É pôr o corpo em movimento
É dispor de anticorpo no tratamento

(É manter o astral)
(É esconder o final)

É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

É não pecar comendo a maçã
É pensar no amanhã
É se aliviar no divã
É se alongar com uma falastrã

É dar o respeito para ser respeitado
É evitar o trejeito para não ser imitado
É demonstrar simpatia
É se esbaldar na alegoria


(É demonstrar simpatia)
(É se esbaldar na alegoria)


É emprego e salário bom
É cantar sem sair do tom
É viver maravilhada
É cair na gargalhada
(Refrão)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O tão falado déficit da previdência é real?

Em nova tentativa de aprovar a Reforma da Previdência governo divulga dados distantes dos 700 bilhões arrecadados em 2015. 

Marta Gueller
05 Outubro 2017 | 

Com arrecadação de R$ 30,3 bilhões e gastos com pagamentos de benefícios na ordem de R$ 47,2 bilhões, o Governo anuncia que há urgência na aprovação da Reforma da Previdência.
Estamos vivendo tempos difíceis. De crise econômica e política. A Previdência Social depende da solidariedade entre as gerações. Enquanto os mais jovens trabalham e contribuem para regime, os mais velhos que contribuíram para o mesmo regime recebem benefícios. Evidente que o desemprego faz cair a arrecadação e aumentar o gasto com benefícios.
O cálculo apresentado pelo Governo para apontar o déficit, no entanto,  considera apenas as contribuições dos empregadores e empregados, ignorando as outras contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, entre elas contribuições sobre o lucro liquido das empresas, sobre o consumo de bens e serviços (Cofins), PIS/PSEP, sobre importações, sobre concurso de prognósticos, entre outras.

Em 2015 foram arrecadados 700 bilhões de reais e foram gastos de 688 bilhões. O sistema de seguridade (saúde, assistência e previdência) é, portanto, superavitário.
O objetivo da Reforma é a convergência entre os regimes, ao longo dos anos, para que todos os trabalhadores (regime geral, servidores públicos e militares), no futuro próximo tenham as mesmas regras para obtenção da aposentadoria.
Pense nisso. Fale sobre isso com as pessoas que você conhece. A defesa dos direitos é algo muito importante. Ela faz parte da nossa condição de brasileiros e de cidadãos. Não vamos deixar que a crise econômica e politica coloque em risco a proteção social fundamentada em falsa premissa de que há déficit na Previdência.
A Reforma alterará drasticamente os requisitos para obtenção de aposentadoria e a forma de cálculo. Caso seja aprovada, fará com que tenhamos saudade do Fator Previdenciário, aquele redutor que leva em consideração a expectativa de vida, o tempo de contribuição e a idade do segurado na data da aposentadoria.
Os direitos constitucionalmente alcançados pelos trabalhadores não podem se transformar em moeda de troca no Congresso Nacional.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Vazio x conteúdo: pancadas x palavras

Esta questão é bem dialética. Expliquemos: peguemos, por exemplo, a questão da educação dos filhos. Pois bem, os pais menos cultos tendem a educar ou corrigir seus filhos na pancada - ao passo que os pais mais cultos tendem a recorrer às palavras ou argumentos. Assim, onde há um vazio (intelectual) tende a haver um maior uso da matéria (pancada) no lugar do conhecimento (vazio energético ou conhecimento). E quais são as consequências disso? A mais relevante é que violência física não educa ninguém. Assim, obedece-se não porque se concordou (utilizando-se de argumentos)... mas porque se foi vencido no uso da força física. E, o pior de tudo é que o processo acaba se tornando um círculo vicioso ou autoreprodutor: quem apanha do pai acaba batendo no seu filho pois acha que se trata do processo correto de "educação" - pois quando há o vazio de conhecimento (o qual é penoso, trabalhoso de se adquirir) recorre-se a mais primitiva e fácil medida a ser tomada: a pancada.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Metade dos abortos realizados no mundo coloca vida de mulheres em risco

Estudo organizado pela OMS aponta que maior proporção de procedimentos seguros de interrupção de gravidez ocorre em países com leis menos restritivas. Quase 50 mil mulheres morrem a cada ano devido a abortos fracassados.
Mulher grávida Nos países onde aborto é proibido, apenas 25% dos procedimento foram seguros.
Cerca de metade dos 55,7 milhões de abortos realizados por ano no mundo são inseguros e colocam a vida das mulheres em risco, aponta um novo estudo organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Publicado nesta quarta-feira (27/09), o documento defende maior acesso a contraceptivos e aborto seguro.
Liderada pela OMS e pelo Instituto Guttmacher de Nova York, a pesquisa constatou que 25,5 milhões de abortos anuais foram executados fora do sistema de saúde formal ou usando meios tradicionais invasivos.
Leia mais: "Só uma mulher sabe o que é ter uma gravidez indesejada"
A maioria dos casos – 97% – ocorre na África, Ásia e América Latina, afetando 24 milhões de mulheres, segundo o estudo, publicado na revista médica The Lancet. Em muitos países africanos, menos de 15% dos procedimentos para encerrar uma gravidez foram executados sob padrões médicos mínimos.
O estudo foi baseado em dados que abrangem o período de 2010 a 2014. As descobertas evidenciam uma forte conexão entre leis de aborto e segurança.
"As maiores proporções de abortos seguros foram observadas em países com leis menos restritivas, com alto desenvolvimento econômico e infraestruturas bem desenvolvidas", afirmou Bela Ganatra, pesquisadora da OMS e principal autora do estudo.
"Aumentar a disponibilidade, viabilidade e acessibilidade a contraceptivos pode reduzir a incidência de gestações indesejadas e, consequentemente, de abortos", afirmou Ganatra. "Mas é essencial combinar essa estratégia com intervenções para garantir o acesso a abortos seguros."
O estudo concluiu que quase nove em cada dez abortos em países desenvolvidos foram realizados de foram segura, o que significa que eles foram conduzidos por um especialista treinado e usando um método recomendado pela OMS. Na América do Norte, 99% dos abortos foram classificados como seguros, seguida por norte da Europa (98%), Europa ocidental (94%) e sul da Europa (91%).
Nos 57 países onde o aborto está disponível mediante solicitação, quase 90% dos procedimentos foram seguros. Já nos 62 países onde as intervenções de interrupção de gravidez são banidas ou somente permitidas se a vida ou a saúde da mulher estiverem em risco, apenas 25% dos abortos foram seguros.
Os abortos considerados "pouco seguros" – que representam 30,7% do total mundo afora – incluem aqueles induzidos com o medicamento misoprostol, sem o suporte de profissionais de saúde, ou aqueles realizados por meio de métodos desatualizados, como raspar o revestimento do útero com um utensílio cirúrgico. Mais de oito milhões de abortos (14,4%) caíram na categorização de "os menos seguros" – feitos por pessoas sem especialização usando métodos perigosos e invasivos.
De acordo com a OMS, cerca de 47 mil mulheres morrem devido a abortos fracassados a cada ano, representando quase 13% das mortes maternas em todo o mundo.
PV/rtr/afp

Os sete desafios que as mulheres têm ainda de vencer na Arábia Saudita

O sexo feminino está autorizado a conduzir automóveis a partir de 2018. Mas muitas outras restrições continuam a bloquear o seu lugar e papel na sociedade da Arábia Saudita.
O fim da proibição de as mulheres conduzirem na Arábia Saudita, anunciada na terça-feira e considerada uma decisão "histórica" pelas ativistas que desde há décadas se têm manifestado contra a medida, é apenas uma das restrições ao papel das pessoas do sexo feminino neste país. A proibição cessa em junho de 2018.
Para Manal al-Sharif, de 38 anos, que em 2011 colocou no YouTube um vídeo seu a conduzir na Arábia Saudita, ouvida ontem pela Reuters, se a decisão de terça-feira é fundamental, permanecem muitos obstáculos à afirmação das mulheres na Arábia Saudita e ao papel que o documento Visão Saudita 2030 lhes reserva. Apresentado em 2016 e considerado instrumento central para a concretização das reformas defendidas pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, nele se estabelece o aumento de "22% para 30% de participação de mulheres na força de trabalho". E se no plano dos desafios a ultrapassar, como se nota no documento, "mais de 50% das mulheres têm curso universitário", o seu estatuto no país é em muitos aspetos equivalente ao de um cidadão de segunda.
O caso mais flagrante para Al-Sharif é o do estatuto de guardião que concede aos homens a tutela de toda uma série de decisões respeitantes à vida das mulheres. "É preciso abolir o estatuto de guardião. Ponto parágrafo. Não é possível as mulheres serem ou fazerem algo no país se elas estão dependentes da autorização de um homem", afirmou a ativista.
Segundo o estatuto do guardião ou tutor, é necessária a aprovação de um indivíduo do sexo masculino em casos como autorização para casar, viajar, obter passaporte e, em certas situações, para tratamentos médicos e arranjar emprego.
Uma outra importante restrição é o acesso ao mercado de trabalho, que formalmente deixou de exigir o assentimento masculino, com as mulheres a conseguirem entrar em setores como o do controlo aéreo ou Medicina, antes reservado aos homens. Neste ponto, continuam a não poder ocupar-se de doentes masculinos. Contudo, na maioria das empresas continua a exigir-se prova de autorização masculina e as posições de chefia são todas desempenhadas por homens. A Reuters referia ontem que em muitas empresas não existem sequer casas de banho para mulheres e a quase totalidade pratica a segregação absoluta entre os dois sexos.
Terceiro desafio relaciona-se com os limites jurídicos de que as mulheres são alvo, nomeadamente o facto de em tribunal o seu testemunho ser menos valorizado do que um masculino. Só a partir de 2013 é que se tornou possível criarem escritórios de advocacia e representar clientes em tribunal.
Ainda no plano legal, embora as mulheres possam adquirir propriedades e tenham bens próprios, é-lhes dificultado muitas vezes o acesso à compra ou arrendamento de casas. Encontram-se também em posição de inferioridade no direito de herança.
Quinto desafio, e questão especificamente abordada na Visão Saudita 2030, é o de acesso das mulheres à prática de desporto, "oportunidade muitas vezes limitada no passado", como se lê no documento. Educação Física só começou a ser ministrada neste ano letivo e a autorização para a abertura de ginásios femininos foi feita em julho.
No plano social, existe uma política estrita de segregação entre homens e mulheres. Estas estão restritas a áreas específicas em restaurantes e salas de espetáculos, a não ser que estejam em família, e em eventos públicos. Não podem assistir a jogos de futebol e só no passado dia 23, a coincidir com o dia nacional, é que foram autorizadas a estar entre homens num estádio para assistir às cerimónias que assinalaram a data. Finalmente, vigora um rigoroso código de indumentária, com as mulheres forçadas a usarem uma longa túnica escura, a abaya, e ainda um véu a cobrir-lhe o rosto. E mudanças nestas áreas não surgem como fáceis ao quadro religioso-cultural da Arábia Saudita.
Como sintetizava Al-Sharif nas declarações à Reuters, "há um desafio real a vencer. Como vão ser aceites as mulheres como pessoas de cidadania absoluta e a exercer os seus direitos".